Vôo pois é preciso
Em meio a situações catastróficas
Incrivelmente ainda possuo asas
Que por milagre não foram destruídas
Pela cruel afetação de infelicidade.
Voar é o que me resta
Ausentar-me mesmo que por segundos
Para não marejar meus olhos
Presenciando tal cenário injusto e inconsequente
Onde os fracos ajoelham-se clamando por piedade
E os fortes que assim intitulam-se
Acreditam numa revolução
Com o derramar de sangue e lágrimas.
Suplico-lhe oh Deus
Que mantenhas minhas pobres asas
Para que em nuvens de branca pureza
Eu possa sentar-me e trincar meus olhos.
Por Rose dos Anjos




